Galo da Madrugada festeja 40 anos de folia

Em 08/02/2018
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Quando o sol raiar neste Sábado de Zé Pereira, um quarentão vai tomar conta das ruas do centro do Recife. Há exatos 40 anos ele acorda a cidade anunciando que o Carnaval começou. O Galo da Madrugada atravessa gerações e prova que, na terra do frevo, quem canta mais alto é ele. 

Registrado em 1994 no Guiness Book como o maior bloco de Carnaval do mundo, o Clube de Máscaras Galo da Madrugada foi fundado em 1978, por amigos do bairro de São José, berço da tradição carnavalesca. O criador foi Enéas Freire. O presidente da agremiação, Rômulo Meneses, relembra a história que começou resgatando os velhos carnavais. “Nós saímos fantasiados. No primeiro ano foram em torno de 70 pessoas, com o intuito de resgatar o Carnaval de rua, com aquela alegria, aquela beleza que sempre teve  na década de 40, 50, 60, 70.” 

E, a cada ano, a brincadeira sem cordão de isolamento atraía mais foliões com fantasias lúdicas e criativas. Aos poucos, as ruas Padre Floriano e da Concórdia ficaram pequenas para a multidão que ia se formando.  Um dos pioneiros e fiéis seguidores do Galo há 40 anos é o ex-governador e ex-prefeito Gustavo Krause, que sempre brinca fantasiado. “Saí sem ser reconhecido várias vezes. Quem desconfiou foi o faro do grande repórter Francisco José. Chegou junto de mim e disse: Olha, o Galo da Madrugada é um bloco pernambucano que sai muito cedo e aqui todo mundo brinca. Esse cidadão que tá ao meu lado é o prefeito. Prefeito, tire a máscara. Eu morto de vergonha.” Fã de carteirinha, Gustavo Krause compôs até um frevo em homenagem ao bloco.

O primeiro desfile contou só com uma orquestra de frevo. Depois foi se multiplicando e, a partir de 1984, os trios elétricos começaram a ser usados. A cada Carnaval surgia uma novidade, e mais gente chegava. A partir de 1995, um boneco gigante do Galo foi montado no rio Capibaribe. E, em 1996, foram instalados camarotes na avenida Guararapes para acompanhar o desfile, que a essa altura já tinha características de fenômeno de massa. É o que explica a historiadora e pesquisadora da Fundaj, Rita de Cássia Araújo. “O Galo traz isso para o Recife, que sempre teve um Carnaval de rua, mas que por conta dos anos da Ditadura isso enfraqueceu muito: o significado do povo. Então, tem um significado social, histórico, de reocupar as ruas, as pessoas voltando às ruas, voltando a se manifestar, voltando a se expressar.”

Em 2009, o Galo da Madrugada tornou-se Patrimônio Imaterial de Pernambuco. Dois anos depois foi incluída a avenida Dantas Barreto no cortejo dos foliões. E cada desfile passou a adotar um tema. Hoje, o bloco  conta com uma estrutura de 30 trios elétricos, mil músicos e 200 diretores. E já criou descendência. Tem filhos espalhados em 13 estados, e em países como o Vietnã, Canadá e Japão.

E se você fosse definir o Galo numa palavra, o que diria?

Pois é. Então prepare o coração para mais um desfile memorável. E que venham pela frente muitas décadas de folia sob a batuta do Galo da Madrugada.